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12 de junho de 2007

O Festival

Este festival é um evento à semelhança de um festival de cinema, mas com uma clara diferença em dois níveis.

Diferença ao nível do conteúdo.

Ou seja, trata-se de um festival que pretende distinguir e divulgar a criação visual de obras audiovisuais com uma temática definida. Obras com função comercial, mas com estatuto crescente no mercado, do qual o videoclipe já assumiu uma posição destacada como género de elevada criatividade e experimentação.

Um festival com o propósito de estabelecer um espaço valorizado para esses conteúdos técnicos e estéticos dos vídeos musicais, que além do videoclipe engloba produtos em DVD como concertos em vídeo e documentários musicais em vídeo.

Diferença ao nível da forma de apresentação.

Ou seja, em virtude da característica tecnológica do género, a sua apresentação possibilita uma maior versatilidade do que a habitual sala/auditório. Assim, pretendemos fazer uso dos novos sistemas de apresentação vídeo, sobretudo os mais inovadores e atractivos esteticamente (Plasmas, LCD, projectores, retroprojectores, ou outros emergentes como Laser DLP, FED, LED, etc.), em locais de fácil acesso público para desfrute dum conjunto de “peças” audiovisuais extremamente criativas e, como é inerente à sua temática, muito populares.

Deste modo, além de tornar mais atractivo, tecnologicamente fascinante e descontraída a envolvência com um público alargado, pretende-se estabelecer uma iniciativa cultural onde o suporte físico seja também um elemento de atracção e beneficie duma outra divulgação institucional.


O Festival pretende fazer uma “busca” anual na produção de vídeo musical mundial, com ou sem projecção global, onde exista qualidade visual para:

>> Numa perspectiva anual apresentar a concurso uma competição nacional e internacional com as seguintes categorias:

Videoclipe: Melhor videoclipe conceptual; melhor videoclipe performativo; Melhor Realizador; melhor Fotografia; Melhor Animação; melhor Ficção

Videodocumentário: Melhor do Ano

Videoconcerto: Melhor do Ano

>> Numa perspectiva histórica fazer a sedimentação valorativa e credibilatória dos vídeos musicais com conteúdo artístico importante na cultura contemporânea através de programas paralelos.

Nessa busca, ou trabalho de pesquisa, um ponto motivador será a descoberta e promoção dos criadores visuais que explorem este meio como expressão artística através da apresentação das videografias dos mais destacados, mas eventualmente também toda a amplitude das suas criações artísticas, ou seja, a partir dos vídeos musicais, dar mostra da singularidade dum criativo que também desenvolva actividade noutras áreas artísticas, como por exemplo: fotografia, cinema, publicidade, design gráfico, ou outras artes visuais contemporâneas e, consequentemente, exibir ou expor esses trabalhos.

O Videoclipe

Nos últimos 20 anos a cultura musical viveu intimamente com uma vertente visual propagada pelos raios catódicos (CRT=monitor convencional) dum aparelho que se tinha massificado exponencialmente à escala mundial.

De facto, a televisão já há muito tinha alcançado um estatuto destacado como meio de comunicação e a indústria musical começou a tirar partido disso, mas desde então de forma inusitada.

A especificidade desse veículo audiovisual ajudou a projectar uma imagética particular no contexto da cultura contemporânea, alterando a forma como os temas musicais, nomeadamente aqueles de cariz mais populares, passaram a ser apreciados pelas pessoas.

É como apêndice (clip) propagandístico da canção pop que toma forma um novo producto audiovisual que tem marcado gerações inteiras, sob o nome internacional de “videoclipe” e que entre nós ficou vulgarmente conhecido como “teledisco”.

Se, numa primeira fase, os videoclipes se limitavam a apresentar os intérpretes a executar o tema, depressa foram evoluindo no sentido de uma maior complexidade. Adoptando métodos visuais de características únicas, tornaram-se num campo de experimentações singulares ao ponto de se autonomizarem num género audiovisual distinto.

Uma nova “imagem” associada à música emergiu no consciente do telespectador e consequentemente uma estética própria implantou-se.

Na sua essência híbrida, em que alia um compromisso comercial com um vincado sentido artístico, configura hoje uma atitude expressiva diferenciadora no contexto artístico contemporâneo. Mas, pelo seu carácter apropriador e compilador de referências culturais com carga semiótica excessiva, em efusão visualista, e comprimidas em poucos minutos, poderemos considerar o Videoclipe como uma das mais puras formas de arte pós-modernas.

8 de junho de 2007

O Videoconcerto

Houve um tempo em que a audição era o único sentido que unia os melómanos à fonte da sua predilecção, estando esta apenas acessível através dos espectáculos ao vivo, das emissões de rádio ou das gravações em velhos discos de vinil. Mas a partir do momento em que a palavra “áudio” se colou à palavra “visual”, a realidade transfigurou-se radicalmente para o campo das percepções super estimuladas, provando que a fruição de qualquer coisa para a qual concorram dois ou mais sentidos é, sempre, muito mais recompensadora.

A televisão terá sido o grande catalizador dessa mudança, através das actuações de músicos em programas de variedades, e depois com a transmissão de performances inteiras enquanto sustentáculo de programas televisivos per si.

Quando os meios tecnológicos permitiram a existência de videogramas comercializáveis a um público alargado, sobretudo com o formato VHS, também os registos de puros espectáculos musicais abriram uma categoria no mercado audiovisual, apesar da sua concepção ainda obedecer às lógicas televisivas da mera reprodução do acontecimento, com excepção de alguns objectos de rara criatividade.

Com o advento da digitalização e posterior popularização do formato DVD, é, hoje, possível assistir, no conforto do lar, a um concerto sinfónico ou até de rock, sem que haja perdas ao nível da qualidade da reprodução de som.

O salto qualitativo ao nível da imagem, mais as evoluções que se advinham (alta definição), tem permitido estabelecer este formato em aposta regular da indústria musical. Quer como bónus na edição dum CD, quer como produto individualizado de venda. Se quisermos antever o futuro, em que apenas a canção individual terá predominância nas vendas musicais, este formato poderá mesmo ser o veículo de súmula e caução às reais capacidades dum artista.

Por outro lado, a flexibilidade deste formato permite desenvolver um conjunto de conteúdos audiovisuais quase ilimitado, estando este pequeno segmento de mercado ainda em estado de desenvolvimento. Mas a profusão e a procura destes produtos está a levar necessariamente à diferenciação de algumas propostas e ao explorar de vias mais criativas de dimensionar essa experiência visual.

Se a emotividade, o aparato cénico e a espetacularidade visual duma performance real sempre fascinou o nosso olhar, é natural que a forma da sua perpetuação pressuponha o simulacro do presenciamento, mas isto, a um nível ampliado de envolvência e proximidade desse acontecimento de palco através da plataforma audiovisual. É pois, nesta lógica que as novas técnicas e práticas de realização têm vindo a alterar os cânones televisivos e a ultrapassar as práticas convencionais de registo, por uma dinâmica visual intensificadora, insuflando um deslumbramento imersivo e interactivo.

Tal como os videoclipes inicialmente partiram de modelos televisivos e cinematográficos para a afirmação duma estética própria, também os videoconcertos se encontram, hoje, num estado transitório para algo diferenciado das práticas habituais e que convém acompanhar com atenção especial.

6 de junho de 2007

O Videodocumentário

A música é, enquanto fenómeno cultural, social, económico e artístico, motivo de curiosidade, de descoberta, de partilha e transmissão dum conhecimento altamente enriquecedor da natureza humana, além de concorrer largamente para a construção do espaço mediático.

A música é um elemento incontornável das nossas vidas, e participa na construção dum consciente colectivo. Como tal, é natural que seja matéria de estudo e de tratamento documental, onde o audiovisual assume uma parte considerável como objecto de divulgação.

Os documentários de autor constituem um género implantado no panorama audiovisual, há já largos anos, como obra cinematográfica consolidada, embora com canais de difusão maioritariamente televisivos ou videográficos. E por vezes, no caso dos de temática musical, como mais um veículo comercial para a própria indústria musical.

A música é, pois, uma matéria apetecível de abordagem testemunhal e com largo campo de enquadramento temático ou narrativo. Seja a autoria ou a interpretação, a técnica ou a estética, a tradição ou a novidade emergente, o fenómeno massificado ou o nicho cultivado, as possibilidades prestam-se a uma “paleta” variada. E o “traço” aplicado de forma intimista ou exaltante, de modo instrutivo ou humorístico, com perspectiva diarista ou com construção ficcional, só a imaginação do realizador permite estipular o que na “tela” audiovisual acontecerá.

Os videodocumentários musicais apresentam hoje uma incontestável criatividade narrativa ou estética, são uma possibilidade lúdica de conhecer tudo aquilo que a música simboliza e, ao mesmo tempo, tudo o que está por trás dela, ou seja, o próprio ser humano.

1 de junho de 2007

Apresentação

A MATÉRIA
O vídeo musical como género criativo e de crescente importância no panorama audiovisual assume hoje um papel singular na cultura contemporânea.É uma forma de expressão que dá outra dimensão à música, promove-a e amplia o seu espectro. Reforça o nosso fascínio pela música e tudo o que a rodeia.Liga-nos ao produto musical com uma alta carga de memorização, mas acima de tudo recebêmo-lo com outro prazer. São também uma forma independente de visualização. As suas formas e métodos contêm arte e engenho. São fruto de forte elaboração e têm a capacidade de criar tendências.Leva-nos a perguntar quem as terá criado.

O OBJECTIVO
O Festival tem como objectivo distinguir e divulgar os autores dos vídeos musicais realizados no país e no estrangeiro, premiando a sua criatividade visual. Ajudando, desta forma, a reposicionar a figura do realizador como criador.Oferecer uma visão global do estado e tendências actuais do mundo do vídeo musical no panorama nacional e internacional.

O ALCANCE
Neste novo evento, será dada uma outra amplitude conceptual à noção de vídeo musical, ou seja, além do formato criativo do videoclipe, também os produtos em DVD como videoconcertos e videodocumentários de temática musical terão o seu espaço de credibilização.

A POSTURA
Exibir os vídeos musicais através de inovadores sistemas de apresentação vídeo em lugares de acesso público não condicionado.Nesses espaços, estará presente uma forma de desfrute mais descomprometida perante as criações artísticas audiovisuais, emprestando ao evento as características do próprio formato: popular, vivo, informal, inovador, electrónico, jovial, próximo, curioso, etc. Ou seja, possível de inserir-se junto das pessoas e em variados espaços.

A ORGANIZAÇÃO
O I Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim é uma organização da Câmara Municipal, em parceria institucional local com o Cineclube Octopus e com o Alto patrocínio do Instituto de Turismo de Portugal.